domingo, 21 de novembro de 2010

KPC: Uma bactéria que representa perigo hospitalar

Hoje vou falar um pouco sobre uma bactéria que vem causando muitas mortes por todo o Brasil. A superbactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase ou KPC é uma enzima que foi identificada pela primeira vez em 2001, nos Estados Unidos, mas pode ser produzida por outras enterobactérias. Essa bactéria ocorre apenas em ambiente hospitalar e em pacientes debilitados e uma das causas é a falta do uso de materiais básicos de higiene médico-hospitalar como luvas e máscaras, álcool gel e outros cuidados como lavar as mãos após contato com pacientes. Quando se adquire a enzima Carbapenemase as bactérias ficam resistentes aos antibióticos, tornado-se assim multiresistentes.

Eu conversei com uma médica do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar em Cachoeirinha, Soraya Malafaia Colares sobre o assunto e ela disse que as comissões de Controle de Infecção Hospitalar deverão manter o sistema de vigilância epidemiológica das infecções relacionadas à assistência à saúde para que permita o monitoramento adequado de patógenos multirresistentes em parceria com o laboratório de microbiologia, fortalecer a política institucional de uso racional de antimicrobianos, enfatizando a importância da higienização das mãos para todos os profissionais de saúde, visitantes e acompanhantes. Disse ainda que é preciso reforçar a aplicação de precauções de contato em adição às precauções-padrão para profissionais de saúde, visitantes e acompanhantes.

Os principais sintomas dos infectados pela superbactéria são a pneumonia e infecção urinária. Essa doença atinge principalmente pessoas hospitalizadas com baixa imunidade, como pacientes de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A bactéria pode ser transmitida por meio do contato direto como o toque ou pelo uso de objetos em comum. A higienização das mãos é uma das formas de impedir a disseminação da bactéria nos hospitais e nas pessoas que por lá circulam. Dificilmente ocorrerá em pessoas saudáveis, mas estas podem se colonizar com a bactéria sem desenvolver doença podendo transmitir a bactéria para pessoas com baixa imunidade.

De acordo com dados da Anvisa e das Secretarias Estaduais de Saúde, os registros oficiais da superbactéria ainda estão restritos ao Distrito Federal, com 183 casos e 18 mortes, e aos estados do Paraná, com 24 casos, da Paraíba, com 18, do Espírito Santo, com três, de Minas Gerais, com 12, de Santa Catarina, com três, de Goiás, com quatro, e de São Paulo, com 70 casos e 24 mortes.

Devemos ter cuidados para não disseminar essa doença nos hospitais e não tomar antibióticos por conta próprima, apenas por receita médica, pois a relação entre bactérias com os antibióticos é direta e o uso abusivo, muitas vezes desnecessário e indiscriminado de antibióticos induz ao aparecimento de germes multirresistentes e que podem não combater às bactérias, como o caso da KPC.

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